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Bem-estar digital: uma questão de contexto

  • IKIGAI - Equilíbrio Digital
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Para as crianças e jovens de hoje, a presença online não é uma questão de escolha é uma questão ontológica. Algo que se relaciona com a sua identidade, com a sua própria razão de ser. “Estar presente”, o novo mantra da modernidade, traduz-se numa existência mediada por ecrãs. Brincar, aprender, conversar, jogar são dimensões que já não são pensadas como sendo exclusivas do mundo offline. Eis então que surge uma questão: será que os jovens passam muito tempo nos ecrãs?

Pela lente do olhar sociológico a questão está longe de ser linear: para além do tempo que se passa no ecrã importa também analisar o contexto. Uma hiperconetividade definida como mais de três horas diárias de uso, ainda que associada a um mal-estar agravado, pode não ser a métrica ideal para se avaliar do impacto do uso dos ecrãs na vida das crianças e jovens.

Segundo Livingstone (2024) para se compreender o “busílis” digital deveremos analisar as atividades de modo desagregado e contextualizado. O mesmo tempo de ecrã pode ser passado a falar com amigos ou a consumir conteúdos (nocivos ou não) de forma passiva. Por isso não basta perguntar quanto tempo, mas antes como, com quem e para quê.

A vida social dos jovens está intimamente ligada à sua identidade digital. Ficar offline significa também ficar de fora. Os meios de comunicação digitais deixaram de se configurar apenas como ferramentas externas ao indivíduo e apresentam-se hoje como o meio envolvente onde nos desenvolvemos (Büchi, 2021). As respostas imediatas, a solicitação para uma disponibilidade constante, o “seguir” de fora as vidas dos Outros, leva a uma sensação de presença contínua; de uma hiperconexão que afeta o equilíbrio relacional e emocional dos jovens (Tintori et al., 2024). Esta presença contínua torna-se problemática na forma como molda as expectativas sociais. A presença no mundo digital não pode, portanto, ser apenas desligada.

É aqui que surge o conceito de bem-estar digital: o bem-estar subjetivo num ambiente onde os meios de comunicação digitais são omnipresentes (Büchi, 2021). Isto é, o bem-estar digital depende da forma como o uso das tecnologias é articulado com as atividades que nos dão qualidade de vida: relações, descanso, atenção, brincadeira, autonomia, etc. Há, portanto, que encontrar um equilíbrio. Para as crianças e jovens este equilíbrio não se encontra sozinho. O papel dos adultos é fundamental. Mais que proibir é fulcral compreender e facilitar o uso com sentido e segurança. Estudos recentes sobre literacia digital afirmam que perceber como funcionam as plataformas e os seus mecanismos algorítmicos é essencial para se navegar com segurança no oceano digital (Livingstone et al., 2025).

A hiperconetividade não vai desaparecer. O desafio de hoje não é tanto tirar os jovens dos ecrãs, mas ajudá-los a participar na tecnologia sem dela se tornarem cativos.


Referências

  • Büchi, M. (2024). Digital well-being theory and research. New Media & Society, 26(1), 172–189.

  • Livingstone, S. (2024). Reflections on the meaning of “digital” in research on adolescents’ digital lives. Journal of Adolescence, 96(4), 886–891.

  • Livingstone, S., et al. (2025). Can platform literacy protect vulnerable young people against the risky affordances of social media platforms? Information, Communication & Society.

  • Tintori, A., Ciancimino, G., & Cerbara, L. (2024). How Screen Time and Social Media Hyperconnection Have Harmed Adolescents’ Relational and Psychological Well-Being since the COVID-19 Pandemic. Social Sciences, 13(9), 470.

 
 
 

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