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Snapchat Dysmorphia: Impacto em crianças e jovens

  • IKIGAI - Equilíbrio Digital
  • 13 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

"Snapchat Dysmorphia": definição, origem e evolução do fenómeno

O termo “Snapchat Dysmorphia” descreve uma nova tendência em que indivíduos passam a desejar alcançar por meios estéticos, como cirurgia plástica ou procedimentos, a aparência das versões de si mesmos "com filtro", geradas por apps como Snapchat ou Instagram. Em vez de inspirarem-se em traços de celebridades, esses pacientes mostram aos médicos uma foto com filtro como modelo para a aparência pretendida.

Esse fenómeno foi relatado pela primeira vez em 2018, quando cirurgiões plásticos notaram a chegada de pedidos de jovens que queriam ficar “igual ao filtro do snapchat”. Em termos médicos, muitos autores relacionam essa atitude à Perturbação Dismórfica Corporal (PDC) – uma condição psiquiátrica em que a pessoa foca-se nas imperfeições (reais ou imaginadas) da própria imagem. Porém, a Snapchat dysmorphia é vista como um subtipo emergente ou fator de risco para o desenvolvimento da PDC, desencadeada especificamente pela exposição intensa a filtros e retoques digitais utilizados/realizados através das redes sociais.

A proliferação de filtros faciais em redes sociais, os quais afinam o rosto, ampliam olhos e lábios, suavizam a pele, entre outros, criou padrões irreais de beleza. Conforme o uso de selfies e edição de fotos cresceu, relatos médicos e estudos científicos passaram a ligar esse hábito à insatisfação corporal. Pesquisas recentes confirmam que o uso intensivo de filtros e apps de edição está associado a maior insatisfação com o próprio corpo. Por exemplo, Rizzo et al. (2025) mostraram que usar filtros digitais aumenta a autoavaliação e a percepção negativa da imagem corporal.

Outros estudos indicam que pessoas que usam muito selfies e filtros de Snapchat/Instagram tendem a ter mais sintomas de PDC e maior tendência para a aceitação e realização de cirurgias estéticas. Em suma, desde 2018 o fenómeno vem crescendo: especialistas já sugerem que a Snapchat dysmorphia deva ser encarada como um problema clínico real e abordado preventivamente nos pacientes jovens.


Impactos entre crianças e jovens

As crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis a esse fenómeno. Muitos jovens usam diariamente redes sociais e filtros sem distinguir a realidade do ideal digital. Estudos apontam que exposição frequente a filtros e fotos editadas tende a reduzir a autoestima e a aumentar a insatisfação corporal nessa faixa etária. As consequências relatadas incluem:

  • Comparação constante: os jovens passam a comparar a própria aparência real com a versão “perfeita” do filtro, sentindo-se abaixo do padrão alcançado pela edição.

  • Desejo de mudança física: muitos passam a querer mudar traços específicos (nariz, boca, rosto) para se parecerem com a imagem com filtro, o que pode motivar consultas médicas e a procura por procedimentos estéticos precoces.

  • Desconexão com a imagem real: surge um fenómeno chamado “perception drift”, em que a percepção da própria face torna-se distorcida, promovendo uma insatisfação com o próprio corpo real.

  • Baixa autoestima e stress: a sensação de que a vida real nunca atinge o padrão visto nas redes pode gerar angústia, ansiedade e queda na autoestima dos adolescentes. Relatos indicam que a maioria dos jovens já se sentiu “menos bonito(a)” após se comparar com versões digitais de si mesmos.


Esses impactos levam a riscos concretos: adolescentes afetados podem desenvolver sintomas de PDC, procurar cirurgias desnecessárias ou apresentar quadros depressivos e de ansiedade ligados à imagem corporal. Dado o aumento contínuo desse fenómeno e seus efeitos negativos, especialistas recomendam atenção médica e educativa. É importante promover o uso crítico das redes sociais e oferecer apoio psicológico quando necessário, prevenindo que “filtros digitais” se tornem a nova referência de beleza entre os mais jovens.


Referências bibliográficas

  • Ramphul, K., & Mejias, S. G. (2018). Is “Snapchat dysmorphia” a real issue? Cureus, 10(3).

  • Ateq, K., Alhajji, M., Alhusseini, N., Almutairi, R., & Alrashed, S. (2024). The association between use of social media and the development of body dysmorphic disorder and attitudes toward cosmetic surgeries: A national survey. Frontiers in Public Health, 12.

  • Mancin, P., Gaudenzi, V., Telesca, R., Lisi, G., & Bianchi, F. (2025). Exploring Snapchat dysmorphia, body dysmorphic disorder symptoms, and body trust in patients seeking aesthetic medicine procedures. Aesthetic Surgery Journal, 45(2).

  • Sun, M. D., & Rieder, E. A. (2022). Psychosocial issues and body dysmorphic disorder in aesthetics: Review and debate. Clinics in Dermatology, 40(2), 177–183.

  • Rizzo, A., Barbera, M., Aydoğdu, F., & Akbağ, M. (2025). “Too good to be true”: An explorative study of photo manipulation, body image dissatisfaction and critical thinking. Clinical Neuropsychiatry, 22(2), 87–94.

 
 
 

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