top of page
  • Facebook
  • Instagram
Buscar

O corpo em pausa: efeitos físicos do excesso de ecrãs em crianças e adolescentes

  • IKIGAI - Equilíbrio Digital
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Introdução

A utilização de dispositivos digitais tornou-se parte integrante do quotidiano escolar, social e familiar. Tablets, smartphones, consolas e computadores são hoje ferramentas de aprendizagem, entretenimento e comunicação.

Contudo, quando o tempo de ecrã ultrapassa determinados limites e substitui o movimento, o brincar ativo e o descanso adequado, o corpo começa a dar sinais de alerta. A evidência científica demonstra que a exposição prolongada a ecrãs está associada a alterações posturais, sintomas visuais e perturbações do sono, com impacto significativo na saúde infantil e juvenil (World Health Organization, 2019).

Este artigo explora os principais efeitos físicos do excesso de ecrãs no corpo em crescimento.

 

Alterações posturais e dor musculoesquelética

Uma das consequências físicas mais documentadas do uso excessivo de ecrãs é o aumento de alterações posturais em crianças e jovens.

A utilização prolongada de dispositivos digitais está associada a:

  • projeção anterior da cabeça;

  • encurtamento da musculatura cervical e peitoral;

  • hipercifose torácica;

  • redução da mobilidade da coluna vertebral.

A posição típica de utilização de ecrãs — cabeça inclinada para a frente, ombros rodados para dentro e tronco fletido — aumenta significativamente a carga sobre a coluna cervical. Durante a adolescência, estas alterações tornam-se particularmente relevantes devido ao rápido crescimento ósseo e à elevada plasticidade do sistema músculo-esquelético.

Estudos demonstram uma associação significativa entre maior tempo de ecrã e dor cervical e lombar em crianças e adolescentes (Straker et al., 2018; Xie et al., 2020). Para além da dor, surgem frequentemente rigidez, fadiga muscular precoce e diminuição da resistência postural.

 

Sedentarismo e diminuição da aptidão física

O aumento do tempo de ecrã está diretamente associado à redução da atividade física diária (World Health Organization, 2019). Em muitos casos, as horas passadas em frente aos dispositivos substituem brincadeiras ativas, desporto e exploração do espaço exterior.

Esta substituição tem impacto em várias dimensões da aptidão física:

  • diminuição da resistência cardiorrespiratória;

  • redução da força muscular;

  • menor flexibilidade;

  • aumento do comportamento sedentário.

A infância e a adolescência são períodos críticos para a construção da base motora e física, sendo o sedentarismo um fator de risco para problemas de saúde ao longo da vida.

 

Fadiga ocular e sintomas visuais

O aumento do trabalho visual em visão próxima associado ao uso de ecrãs está relacionado com sintomas de fadiga ocular digital, incluindo visão turva, cefaleias, olhos secos e dificuldade em alternar o foco entre longe e perto (Sheppard & Wolffsohn, 2018).

Durante a utilização de ecrãs piscamos menos vezes, contribuindo para secura ocular e desconforto visual. Existe também evidência de aumento da prevalência de miopia em crianças e adolescentes com elevado tempo de ecrã (Sheppard & Wolffsohn, 2018).

A redução do tempo ao ar livre — essencial para o desenvolvimento visual saudável — surge como um fator adicional de risco.

 

Sono, recuperação física e energia diária

A exposição a ecrãs, especialmente no período noturno, interfere com a secreção de melatonina e com o ritmo circadiano (Hale & Guan, 2015).

O tempo de ecrã está associado a:

  • aumento da latência do sono;

  • menor duração do sono;

  • pior qualidade do sono.

Durante a adolescência, fase de elevadas exigências escolares e sociais, a privação de sono compromete a recuperação física, a regulação metabólica e os níveis de energia diários.

 

Respiração e impacto da postura

A postura encurvada associada ao uso de ecrãs pode limitar a expansão torácica e alterar o padrão respiratório. Padrões respiratórios menos eficientes estão associados a maior fadiga, tensão muscular e menor vitalidade diária, reforçando a importância de hábitos posturais saudáveis desde a infância (Straker et al., 2018).

 

Promover saúde física através do equilíbrio digital

A promoção do equilíbrio digital inclui estratégias simples e eficazes:

  • pausas regulares no uso de ecrãs;

  • ergonomia e postura adequada;

  • redução do uso de ecrãs antes de dormir;

  • rotinas de higiene do sono digital;

  • incentivo ao brincar ativo e ao tempo ao ar livre (World Health Organization, 2019).

Pequenas mudanças podem gerar melhorias significativas na saúde física de crianças e adolescentes.

 

Conclusão

O corpo em crescimento necessita de movimento, descanso e recuperação. O uso excessivo de ecrãs pode interferir com estes processos fundamentais, contribuindo para sintomas físicos precoces e hábitos menos saudáveis.

Promover o equilíbrio digital é uma estratégia essencial para proteger a saúde física ao longo da infância e adolescência.

 

Referências

Hale, L., & Guan, S. (2015). Screen time and sleep among school-aged children and adolescents: A systematic literature review. Sleep Medicine Reviews, 21, 50–58. https://doi.org/10.1016/j.smrv.2014.07.007

Sheppard, A. L., & Wolffsohn, J. S. (2018). Digital eye strain: Prevalence, measurement and amelioration. BMJ Open Ophthalmology, 3(1), e000146. https://doi.org/10.1136/bmjophth-2018-000146

Straker, L., Harris, C., Joosten, J., & Howie, E. (2018). Mobile technology dominates school children’s IT use in an advantaged school community and is associated with musculoskeletal and visual symptoms. The Journal of Pediatrics, 202, 300–306. https://doi.org/10.1016/j.jpeds.2018.06.036

World Health Organization. (2019). Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. WHO.

Xie, Y., Szeto, G. P. Y., Dai, J., & Madeleine, P. (2020). A comparison of muscle activity in using touchscreen smartphone among young people with and without chronic neck–shoulder pain. Ergonomics, 63(2), 255–265. https://doi.org/10.1080/00140139.2019.1673620

 
 
 

Comentários


Entre em contacto

Contactos

933 371 529

ikigai@gato.org.pt

 

Linha de Apoio

289 101 100

Morada

Rua Madre Teresa de Calcutá, Lote 66, R/C

8000-536, Faro

bottom of page